Fazer negócios através a Suíça

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A Suíça é um país extremamente favorável ao empreendedorismo. Um país pequeno, com pouco mais de 8,5 milhões de habitantes, ela tem a maior renda per capita da Europa. Suas quatro línguas oficiais e altíssimo custo da mão de obra (de onde vem a alta renda) são desafios importantes, mas não impeditivos para o processo de empreendedorismo.

Por outro lado, a liberdade e independência de cada cantão (equivalente aos estados brasileiros) faz com que a concorrência por novas empresas cresça até a competição por impostos cantonais mais baixos. Também, a flexibilidade dos contratos de trabalho e adaptação das profissões especializadas ao trabalho de consultor, facilitam e desoneram o custo e o investimento.

Apesar de não fazer parte da zona do Euro, o que faz do Franco Suíço uma moeda fortíssima, com seu peso balizado em ouro, a Suíça tem acordos bilaterais com a União Europeia, permitindo assim um fluxo relativamente livre de mercadorias entre o gigante mercado europeu e o pequeno mercado suíço.

Preocupada com a manutenção da saudável concorrência de mercado, a Suíça também finaliza acordos (através do EFTA) com o Mercosul e diversos países asiáticos. Ela se transformará, até 2021 em um importante polo comercial entre os diversos grupos comerciais continentais. Lingando Europa, Ásia e América Latina, a Suíça pretende ser novamente a sede da movimentação financeira e bancária.

Mais do que um porto logístico ou um centro de distribuição, o interesse da Suíça é manter bem nutrido os cofres bancários que, desde o início do processo de transparência e ética bancária, vem gradativamente perdendo força e volume do dinheiro do mercado negro. Dependendo assim, dos fundos de pensão e seguros.

Os acordos com o Mercosul são os mais interessantes até o momento, ele prevê o fim de boa parte dos impostos em pelo menos 27 áreas de produção, no comércio entre os dois blocos. EFTA e Mercosul ganham com os acordos: a EFTA, composta por países montanhosos ou muito frios (Finlândia, Suíça, Litchenstein e Groenlândia) passam a ter acesso às matérias primas e produtos agrários brutos e industrializados, enquanto o Mercosul, além de ganhar uma canal aberto para o mercado Europeu e Asiático, terá acesso às tecnologias de ponta na produção industrial, patentes de tecnologia e marcos de desenvolvimento tecnológico.

A maior dificuldade para as empresas brasileiras é a total liberdade de mercado oferecida por esses países. Apesar de os acordos comerciais serem amplamente discutidos por governos, após a assinatura dos acordos, todo o trabalho do governo suíço termina. Ficando, então, a cargo da iniciativa privada, procurar e formalizar seus negócios.

Empresários brasileiros, em geral acostumados com as pontes criadas pelos estados, municípios e federação, podem estranhar essa conduta do governo suíço. Mas, a fim de manter a livre concorrência, as instituições governamentais suíças não fazem nem a indicação dos cantões mais favoráveis para o tipo de negócios que se quer fazer, menos ainda a indicação de parceiros e revendedores.

Ou seja, enquanto o governo brasileiro fará a paternalização de suas empresas favoritas, o governo suíço deixará que cada um concorra com aquilo que tem para oferecer. Dessa maneira, conhecer as empresas, ter o conhecimento das políticas cantonais e ainda estar disposto a abrir novas portas é um papel importante e que pode trazer grandes benefícios para os conterrâneos brasileiros.

O mercado europeu, mesmo em crise, aliás, a maior crise desde o fim da 2ª grande guerra, continua vibrante e altamente consumidor. O mercado suíço, apesar de conservador, e muito eco-alinhado, tem uma repercussão importante na Europa, seja por conta da referência de qualidade ou pela agressividade na venda. Sendo assim, produtos saídos da Suíça encontram-se em quase todos os supermercados, farmácias e salões de beleza da Europa. É o corredor perfeito para produtos brasileiros.

Na área farmacêutica, os últimos acordos entre a EU e a Suíça, preveem um processo de registro e de licença de comercialização único entre as duas partes. Com isso, produtos farmacêuticos e protéticos registrados na Suíça poderão ser comercializados na EU, sem maiores atrasos burocráticos. Essa parceria vale também para os produtos da medicina complementar (como fitoterápicos e homeopáticos).

Acordos similares valem também para a indústria de alimentação e de produtos nutracêuticos. Vitaminas, barras proteicas e produtos saudáveis tipicamente brasileiros já estão sendo fabricados e embalados no Brasil de acordo com as regras da EU para distribuição na Europa através da Suíça.

As matérias primas e os produtos vindos da EU, em sua maior parte, carregam os estigmas da produção da China e dos países do Sudeste Asiático, marcados pelo trabalho exploratório e pelas péssimas condições de tratamento com a natureza, baixo compromisso com acordos internacionais e com o preço justo das mercadorias.

Por outro lado, no Brasil, os empresários sérios vêm lidando com as certificações internacionais há mais de 30 anos, fazendo com que, em geral, os produtos brasileiros estejam prontos para entrar na Europa a partir da Suíça. Mais do que isso, o Brasil é signatário de todos esses acordos internacionais que certificam os mercados como politicamente corretos: ausência de trabalho escravo, preservação do meio ambiente e banimento do trabalho infantil.

Junto com isso, o Brasil carrega uma empatia internacional inata. As cores verde e amarela são sinônimo de simpatia, alegria e férias para os europeus. Sendo assim, os preços brasileiros, sempre muito favoráveis para o mercado da EU, somam-se as certificações e a aceitabilidade do mercado.

Produtos como o baru (uma semente do cerrado), o jambu (uma folha da Amazônia), catuaba (não preciso explicar), óleo de coco, frango, madeira de compensado, quando acompanhados pelos devidos certificados, tem uma aceitação quase imediata pelas distribuidoras locais.

A sede de negócios existe de ambos os lados e é tão voraz que, provavelmente, mesmo que a finalização do acordo do EFTA com o Mercosul seja adiada, o simples ensejo e a perspectiva do acordo já estão colocando fogo no mercado. E, aqueles que deixarem para amanhã, vão perder o assento na primeira classe.

No Brasil, a Suíça oferece um canal importante, o Swiss Global Enterprise. No Sul do Brasil, a empresa SwissQ é especializada nesse tipo de transposição oceânica (aliás, foi responsável pela vinda da minha empresa para cá), alguns consultores individuais também podem ajudar a orientar ou nortes as decisões caminhos. Mas, daí, você me chama inbox e eu te passo os contatos.

Swiss Questions

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