Integracao, pertencimento e sonhos -

Três tópicos sobre integrar-se!

Integrar-se em um país novo, não é saber dançar e cantar suas músicas folclóricas. Mas, ter respeito pelo que foi construído, aprender a amar ou gostar das coisas que compõe a vida local e enturmar-se com as pessoas que já vivem nesse lugar a mais tempo que você é a chave de uma boa integração.

Aliás, essa palavra não é usada em vão. Integração remete a pertencimento. Integrar-se é fazer parte da comunidade, pertencer a ela, sentir-se pertencente. Claro, isso terá um teor um pouco diferente, pois os valores são um pouco diferentes, mas, pertencer é sentir-se em casa, sentir-se como um igual, como uma parte da estrutura.

Essa sensação de pertencimento, esse processo de integração pode ser facilitado por três comportamentos, três posicionamentos frente a vida:

 

1 – Conhecer

Um país novo oferece inúmeras possibilidades novas. Algumas já conhecidas, outras desconhecidas. Para que se possa fazer uma boa adaptação, é preciso que se conheça que possibilidades são essas:

Pessoas novas, lugares novos, trabalhos novos, novas línguas, novos lugares, novas comidas, novas rotinas, transportes, cheiros, feriados, festas, praias, plantas, escolas…

Desde que você desembarca, é preciso preparar-se para ver, ouvir e experimentar as novas possibilidades, quase que como uma criança que começa a experimentar e conhecer as coisas que a vida oferece.

Um exemplo. As escadas rolantes, no Brasil ocupamos calmamente a escada rolante e esperamos que ela nos leve para cima ou para baixo. Por aqui, quem vai ficar parado esperando que a escada rolante faça seu trabalho, fica do lado direito. Mas, que que complementar o trabalho da escada rolante, subindo ou descendo enquanto ela trabalha, fica do lado esquerdo. Esse conhecimento é excelente para não ouvir uns desaforos na estação central e no aeroporto.

Muitas dessas coisas boas serão diferentes, outras difíceis, algumas insossas, mas, a maioria terá que ser bem conhecida, bem aprendida e, principalmente, aceita.

2 – Aceitar

Se você é imigrante, como eu, o primeiro passo para uma boa integração é aceitação.

Aceitar o que ficou para trás, aceitar o que vier de novo, aceitar as dificuldades como desafios, aceitar as mudanças de valores e comportamentos que precisam ser feitos no novo mundo.

A imigração é um processo de chamamento. Seja em nome do amor por uma nova pessoa, seja por dificuldades na país de origem, seja por sonhos em relação à nova terra, imigrar é um chamado para uma nova vida. Para isso, um novo jeito de viver precisa ser desenvolvido.

Um exemplo simples: Como brasileiro, era acostumado a comer feijão quase todos os dias no almoço. Aqui, feijão até é fácil de achar, mas cozinhar feijão e prepara-lo para o almoço todos os dias é difícil. Então, ele passou a estar presente, um dia na semana.

Nessa mudança, perde-se peso, força e é preciso encontrar outros substitutos mais fáceis para o dia-a-dia.

É preciso aceitar que o feijãozinho de todo dia ficou para trás, é preciso aceitar o substituto, mesmo que não seja tão gostoso. Se não houver a aceitação da mudança, a falta do feijão vai gerar sofrimento e insatisfação.

3 – Entender

Aprendemos na vida que tudo tem um valor histórico e cultural. Com isso, entender de onde vem os costumes, comportamentos e valores, pode ajudar a desenvolver empatia por eles e pelo povo no qual você quer ou precisa se integrar. Isso ajuda a perceber que, apesar da distância, no fim, todos os povos estão na mesma batalha: fugir da miséria e da dor.

Alguns países estão nessa batalha de forma mais acertada, e, portanto, vivem uma vida de mais qualidade e estabilidade. Normalmente, somo imigrantes na direção de países que alcançaram essa forma melhor, esse ponto de afastamento da morte e da fome. Então, acabam tendo valores e comportamentos bastante distintos, pois a busca do povo que compõe aquele país passa a ser uma busca diferente.

Um exemplo: Na luta pelo pão de cada dia em um país onde tudo precisa ser construído ainda, acaba valendo de tudo, empurra-empurra, lixo no chão, assalto, pequenos golpes e apliques e, toda tentativa de negócio acaba sendo válida. Quando se chega em um país onde tudo está pronto, tudo já foi construído, as coisas só precisam ser mantidas. Como as pessoas sabem o trabalho que deu para construir, conseguir e atingir esse patamar, preservar, cuidar e manter são verbos que precisam ser conjugados com muito capricho e talento.

Isso pode parecer bobagem, mas isso quer dizer que, para todas as tarefas laborais, será necessário ter qualificação e boa remuneração. Do faxineiro ao pedreiro, do pinto ao porteiro, todos tem capacitação profissional e um salário digno (ou deveriam ter).

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