A Suíça é um país de contrastes. Quase 30% da população é de estrangeiros. Ou seja, 1 de cada 3 ou 4 residentes, é forasteiro, é o país com a maior população estrangeira da Europa. Mesmo assim, aqui dentro, pela mudança de algumas regras de imigração, a partir de 2015/2016, o país parece muito mais fechado para estrangeiros, principalmente latino-americanos e asiáticos.

Sem um passaporte Europeu, é praticamente impossível conseguir novos vistos de permanência. Exceções são abertas a pessoas que trabalham em empresas multinacionais e são, com um bom salário e argumentação, transferidas para cá. Ainda, assim, ouvimos constantemente, histórias de pessoas que, durante o processo de transferência, com tudo acertado com a Universidade ou empresa na Suíça, tiveram seu visto negado.

Vistos de estudantes também estão bastante difíceis. Relatos dizem que, além de demorar de 4 a 6 meses para se obter uma resposta, sem que se comprove abundância de verba própria para auto sustento na Suíça, o visto é negado. Mesmo com a aprovação da instituição de ensino, contratos assinados, depósitos feitos. Ainda assim, os vistos são negados.

O que acontece é que foram determinadas cotas de empregabilidade para estrangeiros e, nessa cota, existe uma espécie de “hierarquia” de nações estrangeiras que são priorizadas em detrimento de outras. Essa preferência não é cultural, mas sim, visa privilegiar os vizinhos fronteiriços. Então, na verdade criou-se uma reserva do mercado de trabalho: primeiro os suíços, depois os vizinhos de fronteira, depois, com uma certa argumentação, os demais imigrantes.

Essa situação é tão marcante que, em 2017, foram mandados embora mais ou menos 27 mil imigrantes em condições “ilegalidade”. Em 2018, mais ou menos 17 mil. Calcule isso pelo número de passageiros de um avião de linha área internacional e você terá uma ideia do volume de pessoas.

Mas, apesar dessa rigidez, existe um diálogo aberto entre autoridades e requerentes. Um bom advogado pode ajudar muito em questões migratórias para Suíça. E, brasileiros são, quando educados, bem recebidos pelas autoridades locais.

Existe uma tríade para o registro na municipalidade (registro obrigatório) e o consequente processo de pedido de visto na imigração. A tríade consiste em: Contrato de trabalho, Contrato de aluguel e Contrato do plano de saúde. Só que esses três elementos são amarrados entre si.

Então, quando você vai fazer o contrato de trabalho, é preciso um endereço (contrato de aluguel). Quando vai alugar o endereço, precisa do contrato de trabalho. E, para o plano de saúde, precisa do dois anteriores. Muitas vezes, além da dificuldade legal imigratória, sem alguém que estenda a mão e de uma ajuda, as coisas ficam impossíveis.

Empregos, na prática, não faltam, são menos de 5% de desempregados (segundo as estatísticas do governo), a maior taxa de empregos da Europa e uma das maiores do mundo. Aqui, reconhecido com emprego pleno. Em qualquer site de buscas (Jobs.ch) é fácil localizar vagas em aberto, muitas inclusive, dependendo da região e do tipo de trabalho procurado.

Bater de porta em porta, ou ter uma indicação de colegas, pode ser uma boa alternativa. Como uma parcela considerável da população é de estrangeiros, existe uma certa empatia. A outra, parte é de suíços, um povo em geral muito gentil, acolhedor e conhecedor, tanto da necessidade quanto da natureza da presença estrangeira na Suíça.

Diversos grupos no facebook e no whatsup trazem informações e experiências trocadas entre os brasileiros residentes no exterior. Na Suíça, não é diferente, vários grupos reúnem pessoas com suas histórias, vivências e experiências por aqui. Claro que, assim com as próprias pessoas, suas experiências com e na Suíça, divergem em gênero, número e grau.

Mas, o que se percebe é que, diferentemente de quem vai para os EUA, aqui a coisa é difícil para todos, principalmente nos dois primeiros anos. Dificuldades com a língua, com empregos, com as regras, com as estruturas governamentais e com os comportamentos. Mas, que, passados esses dois anos, a Suíça se torna um lugar insubstituível.

Uma característica importante do público brasileiro residente na por aqui é que, a maioria absoluta é de mulher brasileiras que se casaram com suíços, alemães e italianos. E, dos quase 74 mil brasileiros que vivem aqui, eu acredito que 50 mil são brasileiras esposas de europeus, em sua maioria suíços.

Nenhum problema nisso, em uma matéria recente na Swissinfo, uma pesquisadora portuguesa explicou o porquê dessa preferência: dotes culinários, “submissão” nos cuidados do lar, e, blá blá blá conservador. Na verdade, é porque a brasileira é pé de boi e, a mulher brasileira da conta do rojão sem perder a sensualidade e o carinho.

Mesmo com toda essa capacidade de dar conta das coisas, tão típica da mulher brasileira, são muitas as que entram em roubadas e depois se veem sozinhas ou em litígios complicados. Outro aspecto é que, das brasileiras que conhecemos nesse tempo por aqui, nenhuma é submissa, apesar de, como no Brasil, serem donas de casas, a maioria ocupa papéis laborativos bastante intrincados, são poderosas, mandonas e bastante dominadora no casamento. Exemplo disso é que, antes de elas aprenderem a língua nativa, os marido aprendem português (com o sotaque da esposa: “méo déux du céu”, diria um  amigo nosso casado com uma pernambucana arretada!!!).

Cheias de iniciativa, chegam aqui como esposas “submissas”, passam os perrengues iniciais e, ao fim de 5 ou 6 anos, são empresárias, empreendedoras e seguram a barra de casamentos interculturais com habilidades mestras. Enteados, ex-esposas, sogras, sogros, igreja, comunidade, todos falando o alemão, francês ou italiano, em dialetos dificílimos de compreender, um casamento com um pacote dos infernos para ser administrado. Em 5 anos, todas as dificuldades dominadas e gerenciadas pelas brasileiras, que se tornam o ponto forte das famílias, verdadeiras locomotivas da SBB.

Doceiras, manicures, funcionárias, advogadas, psicólogas, faxineiras, esteticistas, baritas, gerentes, executivas, vendedoras, mães, madrastas, avós, etc.. Elas são os brasileiros na Suíça. Minha esposa é assim, morro de amores e de orgulho e, muitas amigas que fizemos aqui, merecem o mesmo apreço.

Com isso, quero dizer que, outra forma de conseguir a permanência é casando. Mas, as autoridades entrevistarão até os seus vizinhos, para saber se o casamento é real e, nos primeiros anos, o visto é revalidado. Ou seja, não é de início, um visto de permanência, mas anual e as dificuldades também serão muitas. Então é preciso que o amor exista de verdade, senão explode tudo.

Resumindo, se você pensa em morar aqui. Organize-se e de tempo para as coisas. Não adianta só pegar a mala e vir.

Leave a Reply