O trabalho e a vida

Trabalho na Suíça não falta. Mas, desde a mudança da lei de imigração, as coisas ficaram mais difíceis. Conversando com os brasileiros que moram por aqui há mais de 5 anos, todos reconhecem que a Suíça está muito mais difícil de se viver. Em partes, a causa é a mudança na lei de imigração. Ela atinge basicamente as pessoas advindas de países que não são parte da União Europeia ou signatários da Schegen. Isso inclui os latino Americanos.

A lei diz que, para esse público, o visto de trabalho passa a ser considerado quando, allém do emprego, a pessoa também comprova bons vínculos com a Suíça. Mas, claro, se a empresa te oferece um salário acima de CHF7.000,00 a regra é outra. Mas, a discussão que proponho aqui, não é sobre salário e sobre trabalho. Mas, sobre integração.

A Suíça é um país de tradições. Muitas delas são absolutamente abstratas, como a precisão, outras absolutamente materiais, como queijo, relógios, canivetes, etc.. Mas, por incrivel que parece, a boa educação e a polidez também fazem parte dessa tradição.

Como, desde de a muito tempo, a Suíça é um país independente e pequeno, rota comercial e passíve de invasões. Acabou sendo importante determinar claramente quem é de casa, quem está só de passagem e quem veio arrumar confusão. Isso talvez não seja tão fácil de perceber nas grandes (?) cidades com Zürich. Mas, quando você mora em um vilarejo pequeno, isso é muito evidente. Todas as pessoas são absolutamente gentis e polidez no trato público, coisas simples: Saudações, despedidas, agradecimentos, polidos gentis. Olá, boa tarde, bom dia, boa noite, bom apetite, até logo, até amanhã, até mais ver, passe bem, por favor, muito obrigado e muitas graças, com licença, desculpe e, etc.. Todas essas expressões são largamente utilizadas de forma absolutamente coloquial. O mais divertido é que, são usadas expressões que vem dos dialetos suíços e não do Hochdeutsch. Isso quer dizer que, todas essas saudações e tratos interpessoais, servem como um código de natividade. Assegurando aos interlocutores a gentileza e a boa edução tipicamente suíças.

Mas, não pense que ela está presente apenas nas relações informais, mesmo no ambiente de trabalho, essas expressões dos dialetos locais (que vão variar, muitas vezes, largamente entre os diversos cantões) são largamente utilizadas e ajudam a criar um clima amigável.

Outra tradição absolutamente comportamental é o entendimento sobre a terra, sobre o chão, sobre o país. Não em termos de uma soberania de fronteira, mas em termos de uma relação de posse com o país com bem material. O suíço se vem como dono de seu país e não como usuário ou como morador. Ou seja, ele cuida do seu país como se a ele pertence-se de fato e, como se as responsabilidades referentes ao cuidado desse pequeno mundo fosse de direito privado.

E, pasme, eles cuidam como se fosse o próprio n. Evitam deixar lixo no espaço público, evitam conversas em alto volume, atravessam na faixa, param o carro em respeito ao pedestre, varrem a frente de suas casas, mantém o mundo florido, ocupam-se do transporte público para cuidar do ar, consomem com responsabilidade para evitar lixo, reciclam 100% do lixo.

E, nas cidades menores, eles vão fiscalizar o comportamento alheio e não se privarão de intervir frente a uma inadequação, seja feita por crianças, adolescentes, adultos ou pessoas de idade. Todos estão sujeitos a uma boa broca que pode, inclusive, juntar mais de um suíço e ainda acontecer em tons bastante indignados.

Eles realmente cuidam de seu país.

A polidez e boa educação, junto com esse cuidado com o país, talvez sejam as coisas que realmente incomodem os suíços no fato de 35% dos aqui residentes serem estrangeiros. Latas de cerveja, pacotes de papel e barulhos nos trens são novidades por aqui.

Então, quando se pega um ônibus e, isso eu adoro, o motorista saúda os passageiros que entram e saem e, ainda ele e os passageiros se encarregam de manter o lugar limpo, silencioso e confortável. Dependendo do motorista e do horário, no ônibus que pego todos os dias com minha esposa, o motorista apaga as luzes internas para que as pessoas, em paz, possam dar uma última cochilada antes de irem para o trabalho.

Outra tradição, baseada nesse respeito e reconhecimento do espaço público, é as crianças irem para a escola sozinhas desde muito pequenas. Pequenas, em geral a partir dos 4 anos é recomendado que a mãe e o pai não mais acompanhem a criança para a escola. O país é muito, muito seguro, mas as histórias sobre raptos, ciganos, bichos-papões correm soltas pelo país. Mesmo assim, todas as manhãs, sai a criançada sozinha para escola. Quanto mais perto da escola, maior fica o grupo e, ao chegar na escola, um bando ruidoso de crianças chega festando e brincando.

Morei os 4 primeiros meses na rua do jardim de infância. E, em frente a minha casa, todos os dias, passavam os pequeninos de colete fluorescente e em bandos. Quando a primavera chegou, encantados com as flores e borboletas, um bando de crianças se apoderou de uma rotatória bem na esquina da casa, e, por 15 minutos ficaram entre a calçada e rua, cutucando as flores. Resultado, o trânsito parou e ficou parada até que a última criança saísse da rua. Ninguém buzinou, ninguém acelerou, ninguém xingou. Incrível esse respeito pelos que construirão o futuro.

Claro, nas grandes cidades isso parece ter se perdido um pouco. Mas, o respeito ainda é tanto que, em Zürich, os ciclistas é que são mal-educados e não os motoristas.

1 thought on “O trabalho e a vida

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