Viver na Suíça - SWISS QUESTIONS
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Viver na Suíça

Viver na Suíça não é um desafio para qualquer um. Um país sedutor pela economia estável, pelas belas paisagens, pela organização, pelo serviço público absolutamente eficiente, pelos índices de qualidade de vida, segurança e felicidade do povo. Será?

A Suíça é o país mais liberal do mundo, isso quer dizer que a Suíça é o país mais capitalista do mundo. Literalmente, nada é de graça. Isso torna esse pequeno país montanhoso, no centro da Europa, a terra mais competitiva do planeta.

Isso traz coisas boas, os serviços, produtos e quase tudo que pode ser consumido, tem qualidades impecáveis. Mas, também, exige muito, mas muito mesmo, dos indivíduos envolvidos em serviços ou produção.

Essa exigência de eficiência é ótima para quem tem um perfil empreendedor e adora um bom desafio. É preciso crescer, evoluir, desenvolver, quase todos os dias, então, o ambiente geral do país é extremamente criativo. Desde a escola as crianças são aproximadas da música e da arte, dos trabalhos manuais e da tecnologia.

O país é extremamente aberto a novos empreendimentos, investimentos, ideias e negócios. Segundo os dados locais, 70% das Startups do mundo tem alguma participação suíça e mais de 50% das patentes registradas no mundo tem alguma participação suíça.

O quanto isso é, muito. Mas, dificulta muito para o estrangeiro que quer se mudar para cá. O sistema de educação da Suíça é aceito em boa parte dos países ao redor do mundo, e isso é ótimo se você tem filhos pequenos que topam estudar muito e dedicar sua vida juvenil a um sistema escolar absolutamente entusiasmante. Se não, é muito difícil reconhecer diplomas estrangeiros por aqui, e mesmo, para serviços de faxina, o Ausbuildung (formação e capacitação) é exigido para se conseguir um emprego.

O clima também é extravagante, verões secos e quentes, invernos longos e gelados. Em algumas regiões, como Zürich, o clima é nublado 600% do tempo. Nas regiões montanhosas (60% do território) a neve cobre a terra por 4 a 6 meses do ano.

A relação com as pessoas é complicada, fazer amigos, envolver-se socialmente com o povo suíço é muito difícil. A barreira está basicamente na língua, por que eles são simpatiquíssimos e, para a minha sorte e da minha família, adoram brasileiros. O que acontece é que, diferente do que se lê por aí, a Suíça não tem 4 línguas (sim, tem 4 línguas oficiais, que são usadas para emissão de documentos e publicações), mas tem, só do alemão, mais de 20 dialetos locais. Um exemplo esquizofrenizante é Fribourg, uma cidade com menos de 100mil habitantes e quatro dialetos, que vão do alemão ao francês.

Entende o que isso representa? Não?? Então calcula: São quase 9milhões de pessoas. Dessas 30% são estrangeiros, dois quais 50 por cento fala o alto alemão no dia-a-dia, 25% falam inglês e, pasme, 25% falam português. Estou arredondando. Existem frações que rondam entre 1 e 5% dos estrangeiros, que falam: turco, romeno, albanês, sérvio, dialetos franceses e italianos, 9 dos 9 idiomas da Eritréia, farsi, persa, hindi, bengali, etc.

Os outros 70% da população, os “nativos”, falam oficialmente: alemão, francês, italiano e reto-romano. Estas línguas são as línguas dos livros, mas não o que é falado nas ruas, nos parques e em casa. No dia-a-dia, esses 70% da população falam mais de 60 dialetos, variações que chegam a ser piada entre os próprios suíços, de tão incompreensíveis.

Ou seja, para conseguir criar laços por aqui, fazer um bom uso dos potenciais super desenvolvidos da Suíça, aproveitar seu bom serviço público e poder ter bom convívio com os vizinhos, é preciso integrar-se ao ponto de fluir através do dialeto (pelo menos uns dois), tornar-se um grande empreendedor de si, e amar o frio e o calor ao mesmo tempo.

É nesse contexto que resolvi escrever nesse blog sobre as minhas experiências, visões e leituras desse mundinho peculiar, chamado Suíça.

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